Andrew Michael Hurley - Loney #resenha @Intrinseca #semanaespecial #Loney
Olá!
Bem vindos à semana especial #Loney
“Sem dúvida tinha sido um fim tempestuoso para o outono. Em Heath, um vendaval havia arruinado o glorioso esplendor de cores de Kenwood a Parliament Hill em questão de horas, deixando um rastro de carvalhos velhos e faiasmortas. Seguiram-se a névoa e o silêncio, e depois, após alguns dias, restou somente o cheiro de podridão e fogueiras.
Certa tarde, passei tanto tempo lá com meu caderno anotando tudo que tinha vindo abaixo que perdi a minha sessão com o dr. Baxter. Ele disse para eu não me preocupar. Nem com a consulta nem com as árvores. Tanto ele como a natureza se recuperariam. As coisas nunca eram tão ruins quanto pareciam ser.
Creio que ele tinha razão em certo sentido. A punição até que não fora tão severa. No norte, linhas férreas ficaram submersas e vilarejos inteiros foram alagados com a água barrenta dos rios. Havia fotografias de gente tirando água de suas salas de estar, gado morto boiando em uma avenida radial. Depois, mais recentemente, a notícia sobre o súbito deslizamento de terra em Coldbarrow, e a criança que tinham encontrado soterrada com a velha casa ao pé dos despenhadeiros.”
Confira a resenha de Loney, do autor Andrew Michael Hurley, publicado pela Intrínseca
Recebi o livro da Intrínseca e fiz algo que para minha rotina é incomum: não li sequer a sinopse.
Mas já tinha ouvido falar do livro, vagamente, que era um tanto sombrio.
[caption id="" align="aligncenter" width="608"] kit lindo que recebi da Intrínseca[/caption]
O autor Andrew Michael Hurley consegue prender a atenção do leitor, criando uma atmosfera de mistério, e vai num crescente, com a narrativa de um garoto, e mescla-se em alguns momentos com ele já adulto.
Há tensão, pois há sugestão de haver bruxas e o próprio mal, a religião e fé cega, mas sem saber o que de fato está acontecendo, pois é pelos olhos do narrador em primeira pessoa, até que chega num desfecho que precisa da sua atenção, mas está ali, muitas explicações, fechando com final digno de um clássico.
Um suspense com pitada gótica
O livro começa com a descoberta de restos mortais de uma criança durante uma tempestade de inverno numa extensão da sombria costa da Inglaterra conhecida como Loney. E assim Tonto* acaba tendo que relembrar acontecimentos misteriosos ocorridos quarenta anos antes.
Narrado por Tonto*, apelido que o padre Bernard dá ao menino, conta a história de um grupo de pessoas católicas, composta de amigos, a família de Tonto e seu irmão mudo e com problema de aprendizado, guiadas por um padre , que fazem peregrinação a um santuário, na Páscoa, para um local ermo, no litoral da Inglaterra, para que esse filho mudo seja curado por um milagre. Eles alugam uma casa, Moorings, em Coldbarrow, onde a umidade rasteja pelas paredes e um vento que parece o próprio mal, uiva pelo local.
Conforme a história vai sendo narrada, vamos notando certos fatos e estranhezas, todo detalhe é importante. Tonto que narra a história, está escrevendo seu diário e sempre protegendo o irmão, Hanny.
Várias vezes esse grupo foi para lá, e sempre a peregrinação era acompanhada de ritos super austeros da igreja, praticados pela mãe dos meninos e pelo padre Wilfred, que via pecado em qualquer ação e adorava punir quem o praticasse. Mas o padre morreu e dessa vez há um substituto, o padre Bernard que tem uma visão mais carismática e menos rígida.
A história que ele narra começa nos anos 70. Loney, como chamam o lugar, é imune a passagem do tempo, um local que emana mau agouro, perigoso, com marés que sobem e cobrem tudo, com coisas estranhas acontecendo, histórias não contadas, e a crença que o mal está ali e de fato ele pode estar e negociando com os locais.
Os irmãos se deparam com pessoas com comportamento estranho, em seus passeios pelas areias de Thessaly. Eles encontram uma menina não muito mais velha de Henny , grávida, fraca e pálida e que gera uma fascinação nele, junto a um casal muito estranho.
Na casa alugada , o pai dos meninos encontra um quarto escondido, e nele há uma garrafa que parece conter algo de magia e depois acabam descobrindo que era um feitiço de proteção.
A escrita é evocativa, sob a superfície da história há uma tradição gótica das histórias inglesas, forças poderosas, descobertas de antigas lendas, ritos antigos… e fé e crença desequilibrada e uma igreja adornada com pinturas medievais e símbolos dos sete pecados.
A devoção ardente da mãe dos meninos não foi suficiente, ela deveria ter acreditado mais no padre Bernard ao invés de tentar colocar todos contra ele, ou não prestar atenção em um copo de bebida dele.
O virtuoso cego pela sua própria segurança e crença , é feito de tolo e uma vez mais o Diabo se sai melhor. Excelente e com final de deixar sem fôlego.
O autor mostra sua habilidade,conhecimento da religião católica e folclores, e mesmo deixando uma sensação de que faltou algo, preste atenção, está ali.
Capa dura com capa de proteção (jacket) muito significativa, papel e diagramação agradáveis à leitura. Recomendo!!!!
Capa, ficha técnica, sinopse
Loney
The Loney
Andrew Michael Hurley
ISBN:9788580579376
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 304
Encadernação: Capa dura
Formato: 16 X 23 cm
Ano Edição: 2016
Tradução: Renato Marques de Oliveira
Sinopse
Com personagens ricos e idiossincráticos, um cenário sombrio e a sensação de ameaça constante, "Loney" é uma leitura perturbadora e impossível de largar, que conquistou crítica e público. Uma história de suspense e horror gótico, ricamente inspirada na criação católica do autor, no folclore e na agressiva paisagem do noroeste inglês.
Book trailer
https://youtu.be/4XfJ7DvB8hs
Boa leitura
See ya!
Rosana Gutierrez
*Tonto - índio, amigo do Cavaleiro Solitário (Loney Ranger).