Antonio Cestaro - Arco de virar réu @etordesilhas #Resenha
Olá!
Confira a resenha do livro Arco de virar réu do autor Antonio Cestaro
O romance Arco de Virar Réu, escrito em 1ª pessoa, nos permite acompanhar a metamorfose que ocorre no mundo particular do narrador personagem , na tentativa de lidar com a esquizofrenia do irmão até embarcar nas próprias alucinações.
O narrador é um historiador interessado no campo da Antropologia, especificamente nos rituais dos índios tupinambás.
Apresenta uma família emocionalmente desequilibrada: o pai se fora de casa, a mãe, dona Tereza, começa a se alcoolizar, o irmão Pedro diagnosticado como esquizofrênico desde a adolescência e Clara, a irmã saudável. Além disso, o primo muito próximo o Juca Bala, era viciado em droga.
Pedro, quando menino ganhara um joguinho com um exército, mapas e estratégias de guerra. Era um mundo de fantasias para o qual ele se mudaria para sempre. Esses personagens ganharam vida nas intermináveis frentes de batalha empreendidas por Pedro, em seu mundo paralelo.
Em uma das visitas que o narrador faz ao irmão hospitalizado, em companhia do primo Juca, este propõe fazer um “trabalho cinematográfico” com as falas desconexas de Pedro.
“O primo parecia entender e falar a linguagem do Pedro, e o fazia mostrando o melhor do seu bem dosado entusiasmo.”
Com a deterioração do estado de Pedro, pelo avanço da doença, o narrador embarca em alucinações sem entender direito o que se passa ao redor.
“... preferi não revelar ao Juca que já era dotado de um punhado razoável de juízos desordenados. Eu não estava em meus melhores dias e pensava como um idiota...”
Em seu estado alterado de consciência adentra o mundo paralelo com pesadelos povoados de rituais indígenas. Ele escreve suas memórias e promete –as ao Juca para o trabalho cinematográfico “ com foco na paranoia criativa..... “ Juca o considera um “psicótico funcional”, ao que o narrador reage questionando a definição de normalidade.
Ele narra ao Juca um de seus pesadelos em que o planeta, tendo exaurido seus recursos, implementa o canibalismo para alimentar a superpopulação.
Por um lado, o tratamento; por outro, as incertezas, os pesadelos, as alucinações o levam à uma espiral de questionamentos pondo em dúvida a sua existência como pessoa.
“Sinto falta de um bom espelho....ver meu corpo inteiro dando provas de que eu sou eu mesmo, agora doente.....juntei aos meus vícios a fixação por espelhos e pelo poder do espelho quando produz em mim a certeza na identificação de quem realmente se abriga na imagem refletida e enquadrada nas molduras que com suas peças de madeira, insinuam limites e algum poder de controle.” (pág. 97)
Confesso que não foi fácil escrever a resenha do livro. Ele dispõe de uma narrativa que leva o leitor a compartilhar as muitas reflexões, incertezas e ponderações a respeito da esquizofrenia e os limites que permeiam o real e o imaginário. Recomendo.
Recebi o livro no encontro que a editora Tordesilhas promoveu. Conheci a linha editorial e o cuidado com a escolha e preparação dos livros.
Capa, ficha técnica, sinopse
Arco de virar réu
Antonio Cestaro
ISBN: 9788584190355
Editora: Tordesilhas
Número de páginas: 152
Encadernação: Brochura
Formato: 14 X 21 cm
Ano Edição: 2016
Sinopse
Narrativa labiríntica escrita em primeira pessoa, Arco de virar réu descreve os eventos que marcam a deterioração física e mental do narrador-protagonista. Historiador social com forte inclinação para o estudo antropológico, ele é obcecado pelos rituais e pelos costumes dos índios tupinambás. A história começa com o surgimento dos primeiros sintomas de esquizofrenia em seu irmão, nos anos 1970, segue pela adolescência, quando, inspirado em rituais indígenas, o narrador passa a se dedicar à ocultação de cadáveres, e termina com a dolorosa percepção da própria loucura. Digressões delirantes misturam-se a fragmentos de memória e a pesadelos que, aos poucos, colocam em dúvida a própria existência.
Boa leitura
See ya!
Rosana Gutierrez